Lugar · Egito
Alexandria
Fundada pelo próprio Alexandre e sede do poder ptolomaico. Abrigou a comunidade judaica mais influente fora da Judeia no período helenístico.
31.2014°N 29.9098°E · coordenada representativa · Pleiades 727070 ↗
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Cidades de tipo grego, com uma noção grega de cidadania, foram fundadas ou reorganizadas em todo o Oriente Próximo. A mais famosa foi Alexandria, fundada pelo próprio Alexandre. Jerusalém também foi reorganizada desse modo.
No auge, a comunidade judaica de Alexandria provavelmente somava centenas de milhares de pessoas e produziu Fílon de Alexandria, filósofo do século I d.C. Declinou na Antiguidade tardia, e sua literatura só chegou até nós porque foi preservada por cristãos.
No século I d.C., dois dos cinco bairros de Alexandria eram predominantemente judaicos; a comunidade tinha tribunais próprios e um líder semiautônomo, chamado (ao menos na época romana) de etnarca. Não eram guetos: os judeus não estavam confinados a eles.
Comunidade: Judeus de Alexandria
No auge, a comunidade judaica de Alexandria provavelmente somava centenas de milhares de pessoas e produziu Fílon de Alexandria, filósofo do século I d.C. Declinou na Antiguidade tardia, e sua literatura só chegou até nós porque foi preservada por cristãos.
No século I d.C., dois dos cinco bairros de Alexandria eram predominantemente judaicos; a comunidade tinha tribunais próprios e um líder semiautônomo, chamado (ao menos na época romana) de etnarca. Não eram guetos: os judeus não estavam confinados a eles.
Os judeus do Egito cultivavam uma relação próxima com os Ptolomeus como patronos: inscrições de sinagogas homenageiam o rei e a rainha. Judeus e Ptolomeus tinham em comum serem estrangeiros no Egito, num padrão herdado dos persas (serviço militar em troca de apoio às instituições comunitárias).
Comunidade: Judeus de Alexandria sob Roma
Cleópatra VII, última governante ptolomaica, esperava revigorar seu reino ao lado de Marco Antônio, seu amante romano. Em 31 a.C., Otaviano, adotado postumamente por Júlio César, derrotou os dois e somou o título de faraó a seus poderes. A cronologia do livro registra em 30 a.C. a conquista do Egito e o fim dos ptolomeus.
Nas cidades mistas do norte da África, judeus conviviam com grandes populações de fala grega e nativas, e o convívio virava violência com frequência. Alexandria é o caso mais bem conhecido. Gregos e egípcios se ressentiam dos judeus, Roma atiçava a rivalidade ora tomando partido, ora jogando um grupo contra o outro, e os judeus, em posição insegura, temiam os vizinhos e às vezes os atacavam. Em 38 d.C. houve um tumulto antijudaico com muitas mortes e sinagogas destruídas; em 41, com a morte de Calígula, veio o revide judaico; em 66, nova luta terminou com um massacre de judeus pelos romanos.
A dureza da repressão dá a medida do perigo. Na Mesopotâmia, milhares foram mortos; em Chipre, os judeus foram proibidos de permanecer; no Egito, a comunidade de Alexandria foi arrasada. Ainda houve judeus na cidade, mas a comunidade que dera ao mundo a Septuaginta e Fílon, na prática, desapareceu.
Josefo não foi exceção: na Palestina (como os romanos chamavam a faixa entre o Mediterrâneo e o Jordão) e em Alexandria, muitos judeus não só aceitaram Roma como serviram a ela. Na família de Fílon, o sobrinho Tibério Júlio Alexandre chegou a governador-geral e foi o número dois de Tito no cerco de 70 d.C. O próprio Fílon via em imperadores como Augusto um reflexo das virtudes divinas.