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ZAKHORIUM

Primeiro intérprete de Jesus, autor de cartas

Paulo

Atuação

50 a 60 d.C.

Judeu ligado aos fariseus, organizou comunidades cristãs na Ásia Menor, na Grécia e em Roma. Sua teologia abriu a nova aliança aos não judeus sem exigir a lei de Moisés, raiz da separação entre cristianismo e judaísmo.

O que as fontes dizem

Cada bloco é uma afirmação com fonte. Clique no número para ver a página citada.

7 afirmações

01

Antes de se converter, Paulo era um judeu próximo dos fariseus. Sua experiência de Jesus o levou, e ao cristianismo, por um rumo diferente do de outros seguidores judeus. Nas cartas que escreveu entre 50 e 60 d.C. (nem todas as que levam seu nome são dele), organizou comunidades na Ásia Menor, na Grécia e em Roma e expôs sua teologia: a aliança do Sinai valera por um tempo, mas, com a morte e a ressurreição de Cristo, a Lei, como um professor que cumpriu seu papel, deixava de ser necessária, e os não judeus podiam entrar numa 'nova aliança' pela fé.

02

Receber gentios, por si só, não rompia com o judaísmo: muitas comunidades judaicas acolhiam prosélitos e também 'tementes a Deus', não judeus que cultuavam o Deus de Israel e seguiam sua lei sem se converter. A novidade de Paulo foi dispensar o judaísmo e a Lei como caminho até Deus. Ele não propunha um judaísmo aberto a todos, e sim uma relação nova em que 'não há judeu nem grego' (Gálatas 3,28).

03

Ao que parece, Paulo nunca deixou de se considerar judeu, e por algum tempo houve judeus cristãos. Mas sua teologia oferecia uma razão forte para aceitar gentios sem fazê-los judeus. Na época da redação dos evangelhos canônicos, entre 70 e 100 d.C., muitos cristãos já não se viam como judeus; no século II, Inácio, que morreria mártir, condenava os cristãos que judaizavam por misturar duas comunidades que ele julgava inteiramente diferentes.

04

Se o cristianismo é tão judaico na origem, por que os cristãos não são judeus? Para os estudiosos, a 'separação dos caminhos', que fez das duas tradições comunidades distintas e muitas vezes rivais, foi lenta e complexa, estendendo-se por séculos. Suas sementes, porém, estão nos primeiros tempos: se não no próprio Jesus, sem dúvida em Paulo, seu intérprete mais antigo e influente.

05

Paulo, nos anos 50, é quem primeiro fala de Jesus, mas só o conheceu depois da morte dele e quase nada diz de sua vida. Os evangelhos são a base de qualquer biografia, porém mais tardios, sem confirmação externa e às vezes contraditórios. Em Marcos, Jesus é crucificado às 9 horas, na manhã seguinte à ceia pascal; em João, depois do meio-dia, na véspera dela. Como João chama Jesus de 'cordeiro de Deus', talvez tenha escolhido essa data para que ele morresse na mesma hora em que se sacrificava o cordeiro da Páscoa.

06

A atitude cristã diante do judaísmo e dos judeus sempre foi ambígua. Duas cartas do apóstolo Paulo, no século I, mostram isso: aos Romanos, o tropeço dos judeus não é definitivo, Deus não os rejeitou por completo e, no fim dos tempos, eles voltarão a ocupar seu lugar de povo escolhido.

07

A carta aos Gálatas fala outra língua: o vínculo de Deus com os cristãos teria substituído a antiga aliança com os judeus. Paulo equipara os cristãos aos descendentes de Isaac e relega os judeus ao lugar de Ismael, expulso com Agar para o deserto, sugerindo que os vestígios do judaísmo precisavam ser removidos para que a nova fé se cumprisse.