Rei da Judeia sob Roma
Herodes, o Grande
Atuação
37 a 4 a.C.
Descendente de idumeus convertidos à força, governou a Judeia de 37 a 4 a.C. com apoio romano. Grande construtor (Cesareia, Massada, a ampliação do Templo), teve a legitimidade questionada e reprimiu rivais com brutalidade.
O que as fontes dizem
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7 afirmações
Roma, como impérios anteriores, gostava de governar através das elites locais. Os hasmoneus deram trabalho demais e foram trocados por alguém mais obediente: Herodes, de família idumeia convertida à força no tempo dos hasmoneus, rei da Judeia de 37 a.C. até morrer em 4 a.C. A cronologia do livro diz que ele conquistou Jerusalém com ajuda romana, tirando-a de uma dinastia hasmoneia restaurada por pouco tempo.
Herodes investiu na amizade romana: fundou Cesareia e outras cidades em homenagem a Augusto e esteve com ele em várias ocasiões. Em troca da paz que garantia, com tropas que reuniam romanos, gauleses e germanos, ganhou terras e prestígio. Também mantinha sob rédea curta o sacerdócio, pondo um amigo como sumo sacerdote, e o Sinédrio de Jerusalém.
Herodes construiu sem parar: Cesareia, a fortaleza de Massada, palácios, teatros, obras até na Grécia. Nada se compara ao Templo, cuja reforma começou em 20 a.C.: o edifício antigo veio abaixo e o novo subiu sobre uma enorme plataforma com pátios, portões, pórticos e a fortaleza Antônia. Foram 10 mil operários e anos de obra (o livro cita João), e as escavações dos muros de arrimo confirmaram o tamanho do conjunto.
O apoio de Roma não bastava para tornar Herodes legítimo. Pela tradição, não tinha direito ao trono nem ao sumo sacerdócio, pois não vinha de Davi nem de Aarão; até sua condição de judeu era posta em dúvida, já que o avô idumeu se convertera à força. Casou-se em segundas núpcias com Mariamne, princesa hasmoneia, para ganhar prestígio, mas o casamento terminou com a execução dela.
Jogos atléticos e arenas de estilo grego em Jerusalém irritaram os súditos de Herodes. A suspeita chegou a ponto de se acreditar que seu teatro tinha figuras humanas; o rei teve de mostrar o prédio aos críticos para provar o contrário. Vista assim, a obra do Templo servia para limpar sua imagem, como herdeiro da piedade de Salomão, e para empregar artesãos e operários durante décadas.
Herodes eliminava quem lhe parecesse perigoso. Matou a esposa, três filhos e a sogra, entre muitos outros, uma violência que chamava atenção até para os romanos. Séculos depois, contava-se que Augusto teria dito que era melhor ser porco de Herodes do que filho dele.
Os temores de Herodes tinham fundamento: sobravam rivais, entre eles hasmoneus remanescentes, e houve atentados contra ele. Ele se antecipava aos inimigos, ergueu fortalezas como Massada e montou uma grande rede de espiões. Assim, com propaganda bem feita, informação e violência, manteve o trono por mais de trinta anos.