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ZAKHORIUM

Sala 03 · 331 a 63 a.C.

Judeus e gregos

De Alexandre aos hasmoneus

331 a 63 a.C.

Do avanço de Alexandre contra o Império Persa (331 a.C.) à intervenção de Pompeu em Jerusalém (63 a.C.), conforme a cronologia do livro (pp. 519 e 520). O próprio capítulo situa seu recorte entre os séculos IV e I a.C. (p. 86).

Panorama com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

Afirmações deste período

01

O capítulo trata do período entre o século IV e o século I a.C., mas a helenização da cultura judaica continuou muito além dessas datas.

02

Alexandre nasceu na Macedônia em 356 a.C. e, antes dos 30 anos, conquistou o Império Persa, derrotando Dario III em 331 a.C. Morreu em 323 a.C.

03

Os hasmoneus controlaram a Judeia até ela passar ao domínio romano em 63 a.C., quando Pompeu interveio a favor de Hircano II, prendeu Aristóbulo II e conquistou Jerusalém.

04

O seder de Pessach, estruturado pela Hagadá com mudanças rastreáveis ao século III d.C., tem muitos traços do simpósio grego: reclinar-se, beber vinho, cantar louvores, fazer perguntas sobre a comida. A palavra afikoman vem do grego. Isso não significa que a Hagadá tenha sido moldada conscientemente no simpósio.

05

No auge, a comunidade judaica de Alexandria provavelmente somava centenas de milhares de pessoas e produziu Fílon de Alexandria, filósofo do século I d.C. Declinou na Antiguidade tardia, e sua literatura só chegou até nós porque foi preservada por cristãos.

§ 01Índice

23 eventos

01331 a 323 a.C.Alexandre conquista o Império PersaEm menos de uma década, um rei macedônio derrubou o Império Persa e abriu uma era em que a língua, as cidades e a educação gregas se espalharam pelo Oriente Próximo, Judeia incluída.Pela (Macedônia) · Isso · Alexandria02323 a 200 a.C.A Judeia sob os PtolomeusGovernada a partir de Alexandria até 200 a.C., a Judeia foi administrada com o apoio de aristocratas locais, e pouca evidência sobrevive sobre como os judeus reagiram a esse domínio.Jerusalém · Ptolemaida (Akko) · Alexandria03Egito ptolomaico (a fonte não indica data mais precisa)Mâneton e a primeira literatura antijudaicaOs exemplos mais antigos de escrita antijudaica vêm do Egito ptolomaico, onde um sacerdote egípcio reescreveu o Êxodo para ridicularizar os judeus.Alexandria04283 a 246 a.C.A Torá em grego: a SeptuagintaTraduzir a Torá para o grego tornou a Bíblia acessível a judeus que, em grande parte, provavelmente não liam hebraico, e a lenda de sua origem diz muito sobre como esses judeus queriam ser vistos.Alexandria · Jerusalém05259 a 258 a.C.A viagem de Zenon pela PalestinaO arquivo de um funcionário ptolomaico mostra uma Palestina vigiada e explorada até o nível das aldeias.Ptolemaida (Akko) · Alexandria06século III a.C. a século I a.C.A diáspora no Egito ptolomaicoSoldados, cativos e migrantes voluntários formaram no Egito uma das maiores comunidades judaicas do mundo helenístico, com instituições próprias e uma relação estreita com os reis.Alexandria · Oxirrinco · Elefantina07século III a.C. a século I a.C.Moisés em versos gregosAutores judeus de Alexandria recontaram a história bíblica com os gêneros e as técnicas dos gregos, sem abandonar o compromisso com a Torá.Alexandria08202 a 200 a.C.Os selêucidas tomam a JudeiaAntíoco III arrancou a Judeia dos Ptolomeus e, num primeiro momento, confirmou o direito dos judeus de viver segundo suas leis.Antioquia (do Orontes) · Jerusalém09c. 200 a.C.A Sabedoria de Ben SiraUm raro testemunho de um intelectual judeu da Judeia por volta de 200 a.C., recuperado em hebraico na Guenizá do Cairo.Jerusalém10c. 200 a.C. a c. 70 d.C.Halakhá na Terra e na diáspora (Flusser)David Flusser situa a halakhá no centro da vida judaica na Terra de Israel no Segundo Templo, contrastando com relatos de Filo sobre alegorização e afrouxamento na Alexandria.Jerusalém · Alexandria11180 a 100 a.C. a 180 a 100 a.C.Aristeas e a oração doméstica duas vezes ao diaA Carta de Aristeas liga o costume de voltar-se a Deus ao deitar e ao levantar à interpretação de Dt 6:7, em chave doméstica, sem depender do horário sacrificial de Jerusalém.Alexandria12sob Antíoco IV, antes de 167 a.C.Jasão, Menelau e o ginásio de JerusalémAntes de qualquer decreto real, foram sumos sacerdotes judeus que introduziram instituições gregas em Jerusalém, e a disputa entre eles abriu caminho para a intervenção do rei.Jerusalém13167 a.C.Os decretos de Antíoco IVO rei selêucida profanou o Templo e proibiu a circuncisão, o sábado e a Torá. Por que o fez continua sendo um dos grandes enigmas do período.Jerusalém14167 ou 166 a.C. a 161 a.C. ou fim da década de 140 a.C.A revolta dos macabeusObrigados a escolher entre a lei e o modo de vida grego, muitos judeus se rebelaram. A guerrilha da família de Matatias terminou fundando uma dinastia.Modiin · Jerusalém · Roma15164 a.C.A rededicação do TemploJudas Macabeu retomou Jerusalém e purificou o Templo; a nova festa criada pelos macabeus inspirou-se em modelos bíblicos.Jerusalém16161 a.C.Judas derrota NicanorA vitória sobre um general que ameaçava o Templo encerra a narrativa de 2 Macabeus.Jerusalém17século II a.C. a 74 d.C.Um templo judaico no EgitoFugido da Judeia, um sumo sacerdote construiu no Egito um templo que funcionou por mais de dois séculos, até ser fechado pelos romanos.Leontópolis (Tell el-Yahudiya) · Elefantina · Jerusalém18século II a.C.Fariseus, saduceus e essêniosA crise do sumo sacerdócio e a ascensão de novos mestres religiosos dividiram os judeus em grupos que discordavam sobre a lei, o Templo e o destino da alma.Jerusalém · Monte Gerizim19c. 150 a.C.Retirada para o desertoUma seita em conflito com as autoridades de Jerusalém retirou-se para o deserto da Judeia e deixou textos que a mostram por dentro.Qumran · Jericó · En-Guedi20140 a 63 a.C.O Estado hasmoneuOs descendentes de Matatias governaram a Judeia por quase oito décadas, impondo o judaísmo a povos vizinhos enquanto adotavam nomes, palácios e moedas de estilo grego.Jerusalém · Gezer · Esparta2176 a 67 a.C.O governo de Salomé AlexandraA única mulher a governar a dinastia hasmoneia; sua morte abriu a crise que levou Roma a Jerusalém.Jerusalém2263 a.C.Pompeu em JerusalémIntervindo a favor de Hircano II, o general romano tomou Jerusalém.Jerusalém · Roma231947 a 1956A descoberta dos Manuscritos do Mar MortoEntre 1947 e 1956 surgiram das cavernas do deserto da Judeia cerca de 900 textos, entre eles os testemunhos mais antigos do texto bíblico.Qumran

§ 02Pessoas

Quem aparece neste capítulo

§ 03Historiografia

Debates do capítulo

Debate acadêmico · 01

Por que Antíoco IV perseguiu a prática religiosa judaica?

5 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Instabilidade mental

    Alguns estudiosos

    Antíoco teria sofrido de doença mental. Apoiam a tese sua fama de comportamento bizarro e a piada da época que trocava seu título Epifânio por Epímanes, 'o louco'.

  2. B

    Pretensão divina

    Hipótese mencionada pelos autores

    Como sugere o título Epifânio ('deus manifesto'), ele talvez se considerasse divino e se ressentisse de os judeus não o adorarem, como faria mais tarde o imperador Calígula.

  3. C

    Preconceito antijudaico

    Apião, escritor grego do século I d.C.

    Segundo Apião, Antíoco teria agido indignado com a suposta barbárie judaica (sequestro e sacrifício de jovens gregos). Os autores julgam que o relato revela mais o preconceito de Apião do que os motivos do rei, e notam que antecipa o libelo de sangue medieval.

  4. D

    Motivos pragmáticos

    Outros estudiosos

    O rei teria agido por razões financeiras, políticas ou militares: reafirmar-se depois da humilhante retirada do Egito sob pressão romana, ou obter os recursos do Templo.

  5. E

    Conflito interno judaico

    Elias Bickerman

    Antíoco teria sido arrastado para um conflito entre reformadores cosmopolitas (os sacerdotes Jasão e Menelau) e uma facção religiosamente conservadora. A ideia de proibir a circuncisão e o sábado viria dos reformadores, e a revolta seria antes uma guerra civil.

Avaliação da fontePara Efron, Lehmann e Weitzman, várias dessas teorias têm algum apoio, mas nenhuma é totalmente persuasiva, porque dependem de fontes suspeitas e de muita especulação.

Debate acadêmico · 02

O antissemitismo nasceu no Egito helenístico?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Sim, se definido pelo conteúdo

    Depende da definição adotada

    Se antissemitismo é o preconceito que estereotipa e ridiculariza judeus, atribui-lhes más intenções e às vezes resulta em violência, o termo descreve a retórica de Mâneton e de escritores posteriores como Lisímaco e Apião.

  2. B

    Não: o termo é anacrônico

    Alguns estudiosos recentes

    O termo, cunhado no século XIX, sugere uma falsa continuidade com o antissemitismo moderno (racial e político) ou cristão (teológico). Propõem 'judeofobia': uma hostilidade nascida da rivalidade entre grupos sob o domínio helenístico.

Avaliação da fonteOs autores consideram errado desligar a judeofobia pagã do antijudaísmo cristão posterior, que herdou alguns de seus tropos, mas também errado ignorar as diferenças: a hostilidade antiga não se baseava em pecados religiosos ou traços raciais, e sim na percepção dos judeus como um povo que rejeitava valores helenísticos.

Debate acadêmico · 03

O martírio é uma invenção judaica?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Origem judaica helenística

    Estudiosos citados pelos autores

    Os primeiros relatos de morte voluntária por fidelidade religiosa estão em 2 Macabeus; a Bíblia não os tem. O martírio seria um ato de resistência que preservava alguma autodeterminação sob domínio estrangeiro.

  2. B

    Catalisador grego

    Hipótese discutida pelos autores

    Não há relatos de martírio sob assírios, babilônios ou persas. A cultura grega pode ter servido de catalisador: Sócrates, que preferiu morrer a abandonar a filosofia, provavelmente era conhecido de alguns judeus no século II a.C.

Avaliação da fonteConclusão dos autores: em certo sentido sim, mas os gregos tiveram papel importante, o que mostra que até ao resistir aos governantes gregos os judeus podiam estar imitando sua cultura.

Debate acadêmico · 04

Quem era a comunidade dos Manuscritos do Mar Morto?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Essênios

    A maioria dos estudiosos

    Plínio situa um assentamento essênio entre Jericó e En-Guedi, perto das cavernas. A comunidade dos manuscritos também tinha iniciação rigorosa, bens comuns e crenças semelhantes, como a predeterminação divina.

  2. B

    Um ramo dos saduceus

    Alguns estudiosos

    A hipótese essênia tem fraquezas, e alguns argumentam que a seita seria um ramo dos saduceus.

Avaliação da fonteTambém é debatido o vínculo entre o assentamento de Qumran e os manuscritos. Seja quem for, a comunidade deixou textos que permitem ver um desses grupos por dentro.

Debate acadêmico · 05

Quem tomou a iniciativa de traduzir a Torá para o grego?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    O rei Ptolomeu II

    Carta de Aristeias (século II ou I a.C.)

    A tradução teria sido encomendada pelo rei para a biblioteca de Alexandria, com 72 tradutores enviados por Jerusalém.

  2. B

    A própria comunidade judaica

    Possibilidade apontada pelos autores

    A tradução pode ter surgido dentro da comunidade judaica de língua grega, talvez com apoio do rei, para tornar a Bíblia acessível e integrar a tradição judaica à cultura grega.

Avaliação da fontePara os autores, o importante na Carta não é a exatidão histórica, mas o papel que ela atribui à Septuaginta como ponte entre judeus e gregos.

Debate acadêmico · 06

Onde e como surgiu a sinagoga?

3 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Influência dos templos egípcios

    Uma teoria (conjectura, segundo os autores)

    Os templos egípcios tinham anexos de estudo e escrita que teriam servido de modelo.

  2. B

    Exílio babilônico

    Explicação alternativa plausível

    Teria surgido no exílio como um pequeno santuário que substituía o Templo de Jerusalém.

  3. C

    Porta da cidade na Judeia

    Explicação alternativa plausível

    Teria se desenvolvido na própria Judeia como substituto funcional da porta da cidade, onde os anciãos se reuniam para decidir assuntos comunitários.

Avaliação da fonteA evidência mais antiga é do Egito ptolomaico (século III a.C.), mas isso não significa que a instituição tenha nascido lá; seu papel inicial também é difícil de definir.

Debate acadêmico · 07

Quão profunda foi a helenização da Judeia no século II a.C.?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Ainda superficial

    Alguns estudiosos

    O impacto teria permanecido relativamente superficial.

  2. B

    Transformadora

    Outros estudiosos

    A helenização teria transformado a própria natureza da cultura judaica.

Avaliação da fonteO capítulo argumenta que até os judeus que resistiram aos gregos foram transformados pelo encontro, e que o próprio judaísmo é, em parte, fruto dessa cultura.

Debate acadêmico · 08

O Eclesiastes é do período persa ou helenístico?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Início da era helenística

    Alguns estudiosos

    Seu ceticismo teria paralelos com correntes da filosofia grega.

  2. B

    Indeterminável

    Avaliação dos autores

    Foi escrito em hebraico, e os paralelos não são precisos o bastante para provar influência grega. Os empréstimos persas indicam apenas que é do período persa ou posterior.

Debate acadêmico · 09

A oração diária fixa no judaísmo surgiu por desenvolvimento gradual ou por inovação radical?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Desenvolvimento gradual

    Linha historiográfica revista por Penner (seção 1.1)

    A oração fixa seria o resultado de um processo longo a partir de formas bíblicas e do culto sacrificial, com continuidade até a liturgia rabínica.

  2. B

    Inovação radical

    Linha historiográfica revista por Penner (seção 1.2)

    A oração diária fixa seria uma inovação marcada (não mera continuidade do Templo), exigindo novas estratégias de legitimação no Segundo Templo.

Avaliação da fontePenner não reduz o problema a um único modelo: mapeia três padrões de legitimação (sacrifício, escritura, luminárias) e insiste em horários e significados, não em um Sidur único reconstruído.