Sábio do século I, figura fundadora do movimento rabínico
Yohanan ben Zakai
יוחנן בן זכאיYohanan ben Zakkaigrafia editorial
Segundo a tradição, não aderiu à revolta, fugiu de Jerusalém (numa versão, escondido num caixão) e obteve de Vespasiano permissão para se instalar em Yavne, adaptando práticas do Templo a um mundo sem ele. Os autores advertem que quase tudo o que se conta dele é lenda posterior.
O que as fontes dizem
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7 afirmações
Tradição ou narrativa
Uma história rabínica, provavelmente lendária mas reveladora, faz da cultura rabínica herdeira de Yohanan ben Zakai. Contrário à revolta, ele teria saído de Jerusalém dentro de um caixão e se posto nas mãos dos romanos, com sua tradição, em vez de morrer ao lado dos rebeldes.
Tradição ou narrativa
Uma história famosa conta como Yohanan ben Zakai foi de Jerusalém a Yavne. Durante a Revolta Judaica, os rebeldes vigiavam a cidade para que ninguém desertasse para os romanos, e Yohanan só saiu escondido num caixão carregado por seus discípulos. Levado a Vespasiano, anunciou que o general chegaria ao poder, e logo um mensageiro vindo de Roma trouxe a notícia de que Vespasiano era imperador. Agradecido, o general deixou o sábio fazer um pedido; numa das versões, Yohanan pede para se instalar em Yavne com os discípulos, que assim teria se tornado a primeira sede de estudo e de autoridade judicial rabínica depois da destruição do Templo.
A história é muito posterior a Yohanan e sobrevive em várias versões divergentes. A profecia sobre Vespasiano se parece suspeitamente com uma história que Josefo conta sobre si mesmo, e fugas em caixões aparecem em Josefo e em autores clássicos. Não é possível saber que detalhes pertenciam à versão original, nem se algum reflete o que de fato aconteceu.
Tradição ou narrativa
Avot de Rabi Natan conta que Josué, o principal discípulo de Yohanan, chorou ao ver o Templo arrasado, pois ali Israel expiava seus pecados. Yohanan o consolou: havia uma expiação tão eficaz quanto aquela, os atos de bondade (gemilut hasadim). Como outras histórias sobre ele, esta tem mais de lenda que de história; mesmo assim, é possível que o Yohanan real tenha de fato ajustado a tradição à perda do Templo.
Tradição ou narrativa
Antes de 70, o shofar só podia ser tocado em Rosh Hashaná no Templo; Yohanan teria decretado que, depois da destruição, poderia ser tocado em qualquer lugar. Esses decretos atribuídos a ele permitiram continuar práticas que dependiam do Templo.
Interpretação contestada
Segundo a literatura rabínica, Yohanan levou o Sinédrio para Yavne, e esse tribunal teria decidido as questões de toda a comunidade judaica. Há historiadores, porém, que duvidam que o Sinédrio tenha sequer existido; e, se havia tribunais judaicos na Palestina depois da revolta, nada mostra de fato que Yohanan os comandasse. Em vida, ele pode ter tido pouca influência.
Tradição ou narrativa
A fuga de Jerusalém para Yavne faz de Yohanan ben Zakai o modelo de um judaísmo que troca a revolta e a morte heroica pela aceitação do domínio romano e pela dedicação ao estudo.