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ZAKHORIUM

Data

1200a.C.

1200 a 500 a.C.data aproximada

A religião israelita compartilhou formas com seus vizinhos e só gradualmente caminhou para a adoração exclusiva de Javé.

História religiosaArte e cultura35.6028°N 35.7853°E
1200 a.C.
1100 a.C.
1000 a.C.
900 a.C.
800 a.C.
700 a.C.
600 a.C.
O antigo Israel e outros ancestrais: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

15 afirmações

01Um ambiente compartilhado

03

Há paralelos israelitas para isso. Arqueólogos acharam santuários em Israel e Judá (não o Templo de Jerusalém), como o de Dã, no norte, e um templo em Arade, em Judá, cujo desenho, como o do Templo descrito na Bíblia, tem as características convencionais dos templos da Síria-Palestina. Alguns sacrifícios e rituais bíblicos se parecem com os de Ugarit, e os salmos têm contrapartidas no Oriente Próximo antigo. Deus tem características de divindade típica da região: criador, guerreiro, rei, que convoca conselhos celestes e esmaga seus inimigos.

04

Como outras divindades, Deus era servido no santuário por uma classe de sacerdotes que supervisionavam sacrifícios e cultos. A Bíblia condena algumas técnicas de adivinhação vizinhas, mas permite a interpretação de sonhos e o sorteio. A profecia também tem paralelos: uma inscrição de Deir 'Alla, na Jordânia, registra as visões de Balaão, profeta não israelita citado na própria Bíblia (Números 22 a 24); e a Assíria também tem coletâneas de oráculos proféticos.

05

A Bíblia se opõe a imagens humanas e animais de Deus, e até hoje não foi achada nenhuma estátua dele; mas há evidência de que os israelitas acreditavam que seu deus residia no santuário, manifesto em símbolos que indicavam sua presença de modo indireto. A Arca da Aliança, uma espécie de estrado ou carro de Deus, servia a esse propósito. O traço talvez não seja exclusivo de Israel, pois outras culturas também usavam símbolos não representativos.

06

Inscrições da época dos reinos de Israel e Judá citam deuses cananeus (Baal, Aserá, El), mas a divindade mais mencionada é um deus ausente da literatura de Ugarit e de outras fontes da religião cananeia, cujo nome se escreve YHWH. Fora da Bíblia, YHWH aparece em cartas, orações e bênçãos, e a forma abreviada 'yahu' está em muitos nomes pessoais (Uriyahu, 'YHWH é minha luz'; Netanyahu, 'YHWH deu'). Os nomes teofóricos com Javé sugerem a importância dessa relação para a identidade.

02Origens debatidas

07

A referência mais antiga a Deus (YHWH) fora da Bíblia está numa inscrição moabita do século IX a.C., a Estela de Mesha, num contexto que o associa a Israel. Se a história dele recua mais, não se sabe; estudiosos tentam extrair sua origem de pistas na própria Bíblia.

08

Interpretação contestada

Se Javé derivava de seu papel de deus criador, isso o ligaria a El, que tem esse papel na mitologia cananeia. Outras conexões apoiam a ideia de que Javé nasceu no panteão cananeu como uma versão de El: a Bíblia lhe dá nomes de El (El Elyon), o nome Israel incorpora El, e Javé é associado a Aserá, consorte de El.

09

Interpretação contestada

Outras pistas bíblicas sugerem que Javé veio de fora de Canaã, do deserto do Sinai: alguns textos o descrevem vindo do sul, e inscrições de Kuntillet Ajrud falam de 'Javé do Sul'. Esse território era habitado pelos midianitas, e alguns estudiosos propuseram que Javé teria sido um deus midianita (a hipótese midianita). No Sinai Moisés encontra Javé na sarça ardente e Israel faz a aliança, histórias que podem refletir uma vaga memória dele como deus conhecido ali.

10

Como conciliar os vínculos cananeus de Javé com sua possível origem midianita? Uma possibilidade é que Israel tenha adotado Javé dos midianitas e depois o integrado a tradições do norte ligadas a El; outra, que tenham existido várias versões de Javé, como havia vários Baais associados a cidades ou regiões (um Javé de Samaria e um do sul), e que o Deus bíblico seja uma fusão delas.

03Deuses, Aserá e monoteísmo

11

Interpretação contestada

Em Kuntillet Ajrud, no Negev, inscrições hebraicas falam de 'Javé de Samaria e sua Aserá' ou 'Javé do Sul e sua Aserá'. Aserá é conhecida em Ugarit como companheira de El. A inscrição pode se referir à própria deusa ou a um objeto ligado a seu culto; o sentido de 'sua Aserá' é debatido, mas pode indicar que, em alguma fase da religião israelita, Javé, como El na mitologia ugarítica, teve uma companheira.

12

Interpretação contestada

Disso resultou a teoria de que a religião israelita antiga não diferia muito da cananeia anterior: Javé seria outro nome de El, com a consorte Aserá, ou uma variante de Baal, derrotando os inimigos de Baal e habitando uma montanha sagrada; deuses menos importantes existiriam, eclipsados pelo poder superior de Javé. Processo parecido ocorreu entre vizinhos no primeiro milênio: Ugarit reconhecia mais de 200 deuses no segundo milênio, mas os Estados cananeus do primeiro têm dez ou menos; Moabe se unia em torno de Camos, Edom em torno de Qaws e Amom em torno de Milcom.

02

Interpretação contestada

Como surgiu o monoteísmo, a crença em Javé não só como deus supremo, mas como único? Alguns o rastreiam até Aquenáton, mas a adoração exclusiva de Javé pode ter surgido mais tarde, na época das conquistas assíria e babilônica. A Bíblia tem muitos trechos que louvam Deus como o mais poderoso ou único, mas isso não exclui outros deuses, e afirmações realmente monoteístas são surpreendentemente raras, só em textos do período assírio, babilônico e persa, como Isaías 44:6 a 8.

13

O catalisador dessa mudança pode ter sido o imperialismo mesopotâmico: assírios e babilônios eram politeístas, mas flertavam com ideias quase monoteístas. Um texto assírio descreve o corpo do deus Ninurta como composto de todos os outros deuses, como se fossem extensões de um único deus supremo, e o monoteísmo de Isaías 44 pode refletir essas ideias. Alternativamente, o monoteísmo pode ter surgido como reação ao domínio mesopotâmico, uma forma de resistir à subordinação de Javé aos deuses do conquistador, negando sua existência. Os autores reconhecem que não sabem como o monoteísmo se enraizou.

Contexto

O Salmo 89 e outros salmos têm paralelos em Ugarit: os 'santos' se reúnem em assembleias, como aquela em que Baal encontra os deuses antes de enfrentar Yam, o Mar; a vitória de Javé sobre o mar paralela a de Baal; o dragão Lotan, que Baal enfrenta, corresponde ao monstro Raab do salmo e ao Leviatã, variante de Lotan (Salmo 74). O monte Zafon, no norte da Síria, lar de Baal, lembra os montes santos bíblicos e sobretudo Sião, e a Bíblia transfere o nome 'Zafon' a Sião no Salmo 48. Como em outras culturas do Oriente Próximo, a identidade em Israel e Judá era definida não só por parentesco, local de nascimento e lealdade política, mas também pela relação com uma divindade, expressa em ritual, mito e até no nome pessoal. Javé foi o deus mais popular da Canaã do primeiro milênio, associado a Israel e Judá como Camos aos moabitas e Qaws aos edomitas. A lealdade a ele sobreviveu à conquista assíria e babilônica, assim como a importância do Templo, o sacrifício e a oração, a recusa de imagens divinas, o papel do sacerdote e do profeta e o uso de histórias como as da Bíblia para entender a relação de Deus com os humanos.

§ 01Geografia

Onde aconteceu

Coordenadas de gazetteers (Pleiades para lugares antigos; Natural Earth e Wikidata para os modernos) sobre geografia física moderna (Natural Earth). Litorais e o Mar Morto mudaram desde a Antiguidade.
▮ carregando geografia

§ 02Museu

Objetos e imagens

Cada peça indica se é um objeto antigo, uma fotografia moderna ou uma interpretação artística posterior.

§ 03Historiografia

O que os estudiosos discutem

Posições apresentadas lado a lado, sem hierarquia, como as relata a fonte. A avaliação da fonte aparece separada.

Debate acadêmico · 01

De onde veio o culto de Javé?

3 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Ambiente cananeu e El

    Hipótese cananeia

    Nomes, títulos e a ligação com Aserá aproximariam Javé de El e do panteão cananeu.

  2. B

    Origem meridional

    Hipótese midianita

    Textos que fazem Javé vir do sul e tradições do Sinai apontariam para um culto adotado fora de Canaã.

  3. C

    Fusão de tradições

    Síntese proposta no quadro

    Tradições meridionais e cananeias, ou vários cultos regionais de Javé, podem ter sido reunidos.

Debate acadêmico · 02

O que significa a expressão 'Javé e sua Aserá'?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Uma deusa companheira

    Parte dos intérpretes

    A expressão indicaria que certos israelitas entendiam Aserá como consorte de Javé.

  2. B

    Objeto de culto

    Leitura alternativa

    A palavra poderia designar um símbolo ou objeto ritual, não uma deusa pessoal.

Avaliação da fonteO sentido da inscrição continua debatido.

Debate acadêmico · 03

Quando e por que surgiu o monoteísmo israelita?

3 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Origem remota

    Teorias ligadas a Aquenáton ou a Moisés

    Alguns estudiosos veem uma possível influência do faraó Aquenáton, e por essa via a crença num único Deus remontaria ao segundo milênio a.C.

  2. B

    Época imperial

    Hipótese favorecida no capítulo

    A adoração exclusiva teria amadurecido durante os domínios assírio, babilônico e persa.

  3. C

    Resistência teológica

    Explicação alternativa dos autores

    Negar os deuses dos conquistadores poderia preservar a supremacia de Javé diante da derrota política.

Avaliação da fonteO capítulo conclui que o processo permanece sem explicação definitiva.

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Mark Smith, The Early History of God: Yahweh and Other Deities in Ancient Israel (San Francisco, CA: Harper Collins, 1990).

    Javé e a religião cananeia · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 32

  • Susan Niditch, Ancient Israelite Religion (New York: Oxford University Press, 1997).

    Religião israelita antiga · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 32

  • Richard Hess, Israelite Religions: An Archaeological and Biblical Survey (Ada, MI: Baker Academic, 2017).

    Pesquisa arqueológica e bíblica sobre religiões israelitas · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 32

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 27; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 27inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 28inspecionar
  7. 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30inspecionar
  8. 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30inspecionar
  9. 09Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30inspecionar
  10. 10Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30inspecionar
  11. 11Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30inspecionar
  12. 12Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31inspecionar
  13. 13Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31inspecionar
  14. 14Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 30inspecionar
  15. 15Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 31inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.