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ZAKHORIUM

Tribunais islâmicos, vizinhos e 'sinut'

Data

950d.C.

século X a século XIIdata aproximada

A autonomia judaica sob o Islã era menos plena do que se diz: cada dhimmi pagava seu imposto, os tribunais muçulmanos interferiam, e vizinhos de religiões diferentes conviviam e compartilhavam práticas, mas também conheciam o ódio chamado 'sinut'.

História social e econômicaHistória religiosa30.0058°N 31.2301°E
700 d.C.
800 d.C.
900 d.C.
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Sob o Crescente: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

6 afirmações

01Impostos e tribunais

01

Costuma-se dizer que as comunidades judaicas tinham autonomia jurídica sob o Islã. Mas, pelas condições refletidas na Genizá, cada dhimmi era pessoalmente responsável por pagar sua capitação ao Estado; o governo consultava líderes cristãos e judeus ao avaliar a carga tributária total, mas não era a comunidade que cobrava o imposto (a prática pode ter sido diferente em outros lugares e épocas).

03

Os tribunais islâmicos se envolviam com frequência em assuntos internos dos judeus. O governo muçulmano, por exemplo, confiscava parte da herança de um judeu que deixasse apenas herdeiras, pois pela lei islâmica uma filha nunca herdava mais que metade do patrimônio do pai, enquanto pela judaica teria direito a tudo. Mas os judeus também recorriam por iniciativa própria aos tribunais muçulmanos, quando as diferenças entre as leis de herança os beneficiavam, e para registrar contratos, como a venda de uma casa.

04

Alguns indivíduos desafiaram diretamente a autoridade dos rabinos levando seu caso a um juiz muçulmano. No tempo de Maimônides, um judeu cohen, proibido pela lei judaica de casar com uma divorciada, contraiu o casamento perante um juiz muçulmano. Quando líderes comunitários quiseram reduzir os acréscimos poéticos à liturgia, seus adversários não hesitaram em envolver as autoridades muçulmanas; e os opositores das reformas de Abraão Maimônides, filho de Moisés, na sinagoga do Cairo (nova disposição dos assentos, fim de almofadas, revisão da liturgia) denunciaram o plano ao sultão.

02Vizinhos e santos

Cooperação entre comerciantes e até sociedades estáveis entre membros de religiões diferentes eram comuns. Sem restrições de moradia, judeus e muçulmanos muitas vezes eram vizinhos e, falando a mesma língua, o árabe, tinham muitos contatos no dia a dia. No século XII, Benjamin de Tudela, viajante judeu da Europa cristã, visitou muitas cidades do Oriente Médio e escreveu um extenso relato de viagem. Benjamin notou com espanto que judeus e muçulmanos pareciam até compartilhar práticas religiosas, como a veneração de túmulos de santos. Na peregrinação ao túmulo do profeta Ezequiel, na Babilônia, entre o Ano-Novo e o Dia da Expiação, havia grande alegria entre os judeus; o chefe da diáspora e os chefes das academias vinham de Bagdá, mercadores árabes acorriam e distintos muçulmanos também iam rezar, tão grande era seu amor pelo profeta.

03O ódio e os tempos difíceis

Isso não quer dizer que uma comunidade como a do Cairo medieval não conhecesse tensões. As cartas judeo-árabes da Genizá cunharam um termo, sinut (palavra de origem hebraica ausente da Bíblia e da literatura talmúdica), para designar o ódio antijudaico. Maimônides, respeitado médico da corte e chefe da comunidade judaica do Egito, observou numa carta aos judeus do Iêmen que Deus os lançara no meio do povo de Ismael, que os persegue duramente e inventa meios de prejudicá-los e rebaixá-los. Os judeus da era da Genizá conheceram, então, tempos bons e maus.

§ 01Geografia

Onde aconteceu

Coordenadas de gazetteers (Pleiades para lugares antigos; Natural Earth e Wikidata para os modernos) sobre geografia física moderna (Natural Earth). Litorais e o Mar Morto mudaram desde a Antiguidade.
▮ carregando geografia

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Mark R. Cohen, Jewish Self-Government in Medieval Egypt: The Origins of the Office of Head of the Jews, ca. 1065–1126 (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1981).

    Vida comunitária e autogoverno judaico · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 182

  • Norman Stillman, Jews of Arab Lands (Philadelphia: Jewish Publication Society of America, 1979).

    Panorama e tradução de fontes primárias sobre os judeus de terras árabes · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 181

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 179; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 179; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 179inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 178inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 179; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 179inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.