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ZAKHORIUM

Por que este período começa com Maomé

Data

622d.C.

622 a 750 d.C.

A ascensão do Islã no século VII criou um império único do Atlântico à Ásia Central e deslocou o centro de gravidade do mundo judaico, razão pela qual o livro abre a Idade Média judaica com ele.

História políticaHistória religiosa33.5116°N 36.3091°E
700 d.C.
800 d.C.
900 d.C.
1000
1100
1200
Sob o Crescente: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

16 afirmações

01O rótulo 'Idade Média'

03

A expressão 'Idade Média' foi criada por escritores cristãos do século XV como um rótulo depreciativo para o intervalo entre a Antiguidade e o Renascimento. Os historiadores hoje a consideram problemática, por ser eurocêntrica e por descartar mil anos como mero interlúdio; os autores a mantêm por convenção, mas sem ver nesse período nada de inferior ou sombrio na história judaica.

04

Diocleciano dividiu o Império Romano em uma parte ocidental e outra oriental em 286 d.C. O Ocidente, pressionado por invasões germânicas e outras, durou até 476, quando o último imperador foi deposto. Para a história judaica isso teve importância secundária, pois a maioria dos judeus vivia no Império Bizantino e no Império Persa.

05

O Império Bizantino, com capital em Constantinopla, sobreviveu séculos ao seu equivalente ocidental, ainda que nos últimos séculos fosse só uma sombra do que fora, até a conquista pelos turcos otomanos em 1453, no fim do período medieval.

06

Para os autores, o fim do século XV, em especial a expulsão dos judeus da Espanha em 1492, marca a transição para a era moderna inicial. A Idade Média judaica é, portanto, longa, mais de oito séculos em cenários geográficos e culturais muito diversos, e o livro só pode oferecer algumas de suas condições básicas.

02A expansão do Islã

02

Poucas décadas depois da morte de Maomé, em 632, seus sucessores tinham criado um império que ia muito além da Península Arábica, onde a nova religião nasceu. Os autores veem na ascensão do Islã no século VII o início de uma era inteiramente nova, também para os judeus.

07

Em 636 as forças árabes muçulmanas derrotaram os romanos na batalha de Yarmuk e em 641 controlavam a Síria e a Palestina; derrotaram os persas em 637, em Qadisiyya, e avançaram sobre o Iraque e a Pérsia. Seguiram-se o Egito e o Norte da África, e no início do século VIII o império ia da Espanha ao Afeganistão. A cronologia do livro registra a conquista da Palestina em 634 e a do Iraque em 642.

08

O novo império passou a abrigar a imensa maioria dos judeus do mundo. Palestina e Babilônia, os dois grandes centros, antes separadas pela fronteira entre os impérios romano e persa, ficaram unidas pela primeira vez desde Alexandre Magno; mas, ao contrário do império de Alexandre, o califado durou séculos, e quase todas as terras então conquistadas, com a exceção da Espanha, continuam no mundo muçulmano.

09

O Mapa 6.1 do livro mostra a expansão do Islã de Maomé até o início do califado abássida, em 750.

10

A cronologia do livro registra que os omíadas tomaram a Espanha em 711 e que, em 732, Carlos Martel deteve os exércitos muçulmanos ao sul dos Pirineus na Batalha de Tours.

03Um mundo judaico sob o Islã

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Estima-se que cerca de 90% de todos os judeus vivessem sob governo islâmico no início da Idade Média, pelo menos até por volta de 1200.

12

O equilíbrio mudou lentamente, em parte por causa da emigração para a Europa cristã, mas sobretudo pelo avanço das forças cristãs na Península Ibérica, que retomaram territórios conquistados pelos muçulmanos no século VIII e trouxeram cada vez mais judeus ibéricos para a cristandade.

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Durante boa parte do início da Idade Média, líderes judeus da Palestina e de Bagdá disputaram influência e autoridade sobre a diáspora dispersa. Ao fim desse processo, que não foi nada inevitável, o Talmude babilônico se firmou como principal obra de referência da cultura rabínica medieval e posterior.

14

No início da Idade Média, as comunidades do Mediterrâneo e do Oriente Médio se orientavam por um de dois centros espirituais, a Palestina ou a Babilônia. Cidades como o Cairo ou Ramla abrigavam sinagogas palestina, babilônica e caraíta. Cada grupo mandava consultas sobre a lei religiosa, enviava contribuições às academias de Tiberíades (depois Jerusalém) e Bagdá e recebia títulos honoríficos de seus líderes.

15

A partir do século X o mundo islâmico se fragmentou em unidades políticas menores, e cada vez mais judeus se mudaram para o oeste. No fim do século X e começo do XI surgiram centros judaicos independentes, no Egito, na Tunísia e na Espanha, que se emanciparam da hegemonia dos centros orientais. Daí vieram subculturas judaicas definidas por território, em contato entre si mas cada uma com identidade própria.

16

Os judeus de todo o mundo medieval compartilhavam uma tradição textual (a Bíblia, a Mishná e o Talmude) e um sentimento de destino comum, mas suas experiências foram moldadas pelos ambientes muçulmano e cristão. Este capítulo trata dos judeus do mundo islâmico, a grande maioria no início do período; o seguinte, da cristandade.

§ 01Geografia

Onde aconteceu

Coordenadas de gazetteers (Pleiades para lugares antigos; Natural Earth e Wikidata para os modernos) sobre geografia física moderna (Natural Earth). Litorais e o Mar Morto mudaram desde a Antiguidade.
▮ carregando geografia

§ 03Historiografia

O que os estudiosos discutem

Posições apresentadas lado a lado, sem hierarquia, como as relata a fonte. A avaliação da fonte aparece separada.

Debate acadêmico · 01

'Idade Média' é uma categoria adequada para a história judaica?

2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Um rótulo depreciativo e eurocêntrico

    Historiadores atuais, segundo os autores

    Cunhada por escritores cristãos do século XV, a expressão trata os mil anos entre a Antiguidade e o Renascimento como mero intervalo, e é por isso considerada problemática.

  2. B

    Uma convenção sem juízo de valor

    Efron, Lehmann e Weitzman

    Os autores mantêm o termo por costume, mas não veem na história judaica desse período nada de segunda classe ou sombrio.

Avaliação da fonteOs autores reconhecem o problema do rótulo, mas o adotam por convenção para um período que, na história judaica, começa com o Islã e termina por volta de 1492.

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Mark R. Cohen, Under Crescent and Cross: The Jews in the Middle Ages (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2008).

    Visão comparativa da Idade Média cristã e muçulmana · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 181

  • Bernard Lewis, The Jews of Islam (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1985).

    História em um volume dos judeus sob o Islã · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 181

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  7. 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521inspecionar
  8. 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154inspecionar
  9. 09Efron, Lehmann e Weitzman, p. 160inspecionar
  10. 10Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521inspecionar
  11. 11Efron, Lehmann e Weitzman, p. 154inspecionar
  12. 12Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  13. 13Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  14. 14Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  15. 15Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  16. 16Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 155inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.