O fim da 'era de ouro' ibérica
Data
1086d.C.
1086 a século XIIdata aproximada
Duas dinastias berberes do Norte da África, os almorávidas e depois os almóadas, endureceram o regime religioso na Espanha muçulmana; a perseguição almóada, com conversões forçadas, marcou o fim da 'era de ouro' e levou Maimônides ao exílio.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
4 afirmações
01Os almorávidas
Duas dinastias berberes do Norte da África intervieram para frear a Reconquista. Primeiro vieram os almorávidas, que entraram em al-Andalus em 1086, depois da queda de Toledo, e estabeleceram um regime religioso duro: ao tomar Granada em 1090, destruíram e dispersaram a comunidade judaica, que mal se recuperara da violência de 1066.
02Os almóadas
Nos anos 1140 os almorávidas foram substituídos pelos almóadas, também berberes do Norte da África, movidos por zelo religioso ainda maior. Sob seu domínio ocorreu uma das poucas conversões forçadas ao Islã do período medieval: milhares de judeus do Norte da África e da Espanha muçulmana foram obrigados a se converter ou a fugir, para o norte, rumo aos territórios cristãos, ou para o leste, até o Egito. Os detalhes da perseguição almóada não são muito conhecidos; uma carta de um judeu de origem marroquina no Egito diz que as congregações do Ocidente 'ou apostataram ou foram mortas'. Por causa da perseguição almóada, o grande erudito Maimônides, nascido em Córdoba em 1135, teve de fugir da Espanha com a família. Curiosamente, foram primeiro para Fez, no Marrocos, coração dos almóadas, e ele depois seguiu para o Egito. Quanto à islamização forçada, Maimônides decidiu que a conversão temporária era permitida para salvar a vida (o Islã, monoteísta, não é idolatria pela lei judaica), com a ressalva de que se devia deixar a terra da perseguição o quanto antes para voltar ao judaísmo em outro lugar.
03O fim de uma era
A perseguição almóada não pôs fim à vida judaica em al-Andalus muçulmana, mas marcou o fim da 'era de ouro' que os judeus haviam vivido sob o domínio islâmico. O foco da vida e da cultura judaicas na Península Ibérica passou ao território cristão, a que o livro volta no capítulo seguinte.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 03Historiografia
O que os estudiosos discutem
Debate acadêmico · 01
A Espanha muçulmana foi uma 'era de ouro' para os judeus?
2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →
- A
A memória popular de uma era de ouro
A lembrança popular, segundo os autores
O domínio islâmico na Espanha é lembrado como uma 'era de ouro' da história judaica, e Samuel ha-Nagid, ministro do rei de Granada, teria atingido o ápice do que um dhimmi podia alcançar.
- B
Uma era de ouro com limites e fim abrupto
Efron, Lehmann e Weitzman
O massacre de Granada em 1066 mostra que a convivência podia virar violência, e a perseguição almóada marcou o fim dessa era, com o centro da vida judaica ibérica passando ao território cristão.
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Eliyahu Ashtor, History of the Jews in Muslim Spain (Philadelphia: Jewish Publication Society of America, 1973–1984).
História mais detalhada dos judeus da Espanha islâmica · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 182
Sarah Stroumsa, Maimonides and His World: Portrait of a Mediterranean Thinker (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2009).
Maimônides no mundo mediterrâneo · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 182
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 170; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 171inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.